Collotype: delicadeza e precisão

Por Ana Dalloz

Há 3 anos eu conheci pela internet um dos processos gráficos de impressão mais lindos que eu já vi: o collotype, que mistura delicadeza e precisão - dupla essa, que minha genética japonesa ama. Mas para a minha tristeza, ele é extremamente raro. No mundo todo, apenas dois lugares o fazem e ambos estão no Japão.

Numa breve explicação o collotype consiste em estender uma camada de emulsão fotossensível à luz sobre uma matriz em placa de vidro, que é exposta à luz UV e ao calor com um negativo fotográfico e tinta, de modo que a imagem é impressa ao entrar em contato com uma folha de papel.

Foi o francês Alphonse - Louis Poitevin que, em 1855, descobriu o efeito de endurecimento dos sais metálicos suspensos na gelatina pela exposição à luz. Com base nessa descoberta, ele desenvolveu um processo fotográfico de impressão em tons contínuos usando tintas pigmentadas. Nas décadas seguintes, a tecnologia do collotype foi modificada e aperfeiçoada, espalhando-se rapidamente pelo mundo, inclusive no Brasil! Seu advento tornou possível a distribuição de fotografias em livros e logo converteu-se no melhor meio para produções fotográficas comerciais. No entanto, começou a desaparecer na década de 1970.

Ao Japão foi levada pelo Imperador Meiji no final do século XIX e desde então tem sido fundamental para preservar a arte japonesa, especialmente para a reprodução das tradicionais gravuras.

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Em Kioto, o Benrido Atelier, fundado há mais de um século, é um dos raros lugares que ainda fazem este tipo de impressão. No vídeo (em inglês), Osamu Yamamoto, que trabalha com collotype há 36 anos, diz que o propósito de seu trabalho é reproduzir e preservar a herança cultural japonesa como, por exemplo, salvaguardar documentos com mais de 1.200 anos de idade. Entre as dificuldades atuais do processo estão o longo tempo para aprender a técnica, baixa eficiência, limitação de impressões pelas máquinas e a não mais produção das máquinas. Como sobrevivência, aderiram à junção da antiga tecnologia collotype com a digital.

Anualmente o Benrido abre uma convocatória internacional cujo prêmio é uma imersão de duas semanas no local, impressão de portfólio e sua exibição. É uma oportunidade bem enriquecedora para quem se interessa pela prática. E o melhor: as inscrições deste ano iniciam-se no dia 14 de abril e vão até o dia 30 de junho. No ano retrasado o ganhador foi o brasileiro Claudio Silvano.

Então, vamos para o Japão?

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