O Olhar que Aprendemos A herança cartesiana e o mito da paisagem perfeita APRESENTAÇÃO A fotografia de paisagem foi construída, no Ocidente, sob uma lógica de controle: o fotógrafo como sujeito soberano que domina o espaço, escolhe a luz ideal e enquadra a natureza como espetáculo. Esta aula questiona essa herança. A partir do filósofo Georges Didi-Huberman, abre-se a pergunta central do curso: e se a imagem nos olhasse de volta antes de nós a olharmos?
OBJETIVOS DO CURSO:
■ Reconhecer os critérios estéticos internalizados como ‘boa fotografia de paisagem’
■ Compreender a origem histórica e ideológica do cânone ocidental da paisagem
■ Introduzir o conceito didi-hubermaniano de dupla distância e dupla perda
■ Iniciar o deslocamento do olhar controlador para o olhar receptivo
Programa:
AULA 01: O OLHAR QUE APRENDEMOS
Tema: A herança cartesiana e o mito da paisagem perfeita.
Principais Conceitos: Discussão sobre o controle no cânone ocidental e a ideia de Georges Didi-Huberman de que a imagem nos olha antes de a olharmos.
Estudo do sublime romântico, pictorialismo, Ansel Adams (sistema de zonas) e os critérios implícitos da paisagem-cartão-postal.
Introdução aos conceitos de dupla distância e dupla perda de Didi-Huberman.
AULA 02: A ANTI-PAISAGEM
Tema: Abstração, imperfeição e o gesto visceral.
Principais Conceitos: Ruptura prática e afetiva com a perfeição técnica como critério de valor.
Compreensão da imperfeição técnica como escolha estética e postura ética.
AULA 03: CORPO COMO TERRITÓRIO
Tema: A paisagem que habita a pele (aula de caráter autobiográfico).
Principais Conceitos: O corpo como superfície geográfica e extensão da paisagem.
Apresentação da escanografia (o scanner como câmera de contato, com profundidade de campo zero) e da série CAIXA de Lu Brito.
Relação entre corpo, território e política da visibilidade através de artistas feministas e decoloniais.
AULA 04: PAISAGENS INVISÍVEIS
Tema: Devolutiva da série, drone e o olhar que permanece.
Principais Conceitos: Devolutiva coletiva e curadoria das séries fotográficas desenvolvidas pelos participantes a partir do exercício da Aula 3.
Apresentação do drone como dispositivo de deslocamento do olhar, retirando o corpo da cena para revelar padrões e geometrias invisíveis ao nível do solo.
A vista aérea tratada como anti-paisagem, transformando o terreno em abstração, textura e mapa.
Diálogo entre a escanografia (o toque) e o drone (o afastamento) como extremos de um mesmo gesto artístico.
Curso
4 aulas
Data: 26 de Agosto, 02, 09 e 16 de Setembro
Horário: 18h30 às 20h
Local: Online (via Zoom)
Investimento: R$390,00 à vista
ou R$430,00 no cartão de crédito (parcelas de até 12x)
PROFESSORa
Lu Brito (Salvador, 1971)
Luciana Brito, oftalmologista de formação, é uma artista visual radicada em Salvador (BA). Há dez anos, traz para o ponto central de sua pesquisa autoral a fotografia e a produção de imagens. Neste período, construiu um amplo repertório visual de imagens que refletem sobre as relações entre singularidade e identidade, a partir das mais de 40 localidades registradas e congeladas por suas lentes. Atualmente, seu olhar está voltado para o próprio corpo entendendo-o também como um território transitório, frágil e performático, criando obras de arte íntimas, numa exploração multifacetada de possibilidades e transformações que levam ao questionamento dos limites da imagem digital. Fazendo uso da scanografia (técnica que usa scanner de mesa como método de captura fotográfica) e da fotografia expandida, a artista se dedica a experimentações que navegam entre os autorretratos, a foto performance e as alquimias manuais de impressão. Essa recusa do previsível resulta em imagens fantasmáticas, carregadas de vestígios do corpo da artista, seus apagamentos e reconstruções, sendo este um processo de pouco controle técnico e catártico. Ao se apropriar de equipamentos que atuam de forma ativa no processo criativo, mas que não foram criados para fins artísticos, a inquietação da artista subverte a função original do aparelho, transmuta a realidade e a experiência lança uma alternativa sobre a ideia de criar arte sob uma nova luz.