Exposição 


 
IMG_0078.jpg
 
 

Beatriz Carneiro e Paulo Marcos

c/ Projeção de Elisa Pessoa

Beatriz Carneiro e Paulo Marcos se conheceram em 1988 na Reserva Nacional do Xingu, durante as filmagens de Kuarup, dirigido por Ruy Guerra. Kuarup é um ritual de homenagem aos mortos ilustres celebrado pelos povos indígenas daquela região. Se reencontraram em 2017 e desse reencontro 29 anos depois nasceu a ideia de ocuparem juntos o espaço da Galeria Oriente. O trabalho dos dois artistas se une pela memória e pelo embaralhamento e o entrelaçamento das lembranças. Memória do vivo e do não vivo.

Paulo desconstrói a sua fotografia tradicional física, fatiando-a em tiras finas. No meio delas surge o lampejo da cor do urucum. A memória é submersa, sub reptícia, subvertida. Não é mais o que foi, mas o que poderia ser. Não é mais discurso, narrativa, história, é cor, espasmo, frestas por onde passa o óleo escarlate da semente de urucum. A morte de 3 amigos antigos no curto espaço de tempo de 16 meses fez Paulo pensar como a sua memória os trataria, como estas perdas irreparáveis se alojariam na lembrança. Perdas e danos.  O que ficaria de cada um? Quais momentos estariam guardados intactos? A memória é  um bicho solto, incontrolável, que nos espreita por entre os vãos do presente. Também guardados na memória estão os quatro meses que Paulo e Beatriz ficaram no Xingu. A partir do reencontro dos dois, quase 3 décadas depois, a memória do que viveram e do que viram ficou atrelada à imagem do presente, do que foi visto agora, e o que era passado, agora também é presente.

Beatriz trabalha com matéria. Tanto a matéria viva, o galho, a pele, quanto a matéria construída, fabricada, o cimento. Usando técnicas mistas, gravuras, fotografias, fotogravuras, objetos e esculturas, Beatriz os banha com a mesma relevância. Os olha e os configura como se ali pousasse uma memória.

Durante a ArtRio os artistas convidaram a artista Elisa Pessoa a fazer uma projeção na empena do prédio vizinho. Realizada na fronteira do Brasil com o Uruguai, “Tempo de Duração” é constituído de longas tomadas em plano fixo realizadas a partir de 3 regras: 1 - escolher o quadro, 2 - fixar a câmera e 3 - deixar a gravação acontecer na extensão total da tomada. O tempo passa na imagem criando uma tensão entre o tempo cronológico e o tempo da experiência, gerando uma reflexão sobre o tempo que não está no que as imagens significam significar, mas num vazio de sentido, portanto criativo. O que se busca não é representar uma determinada ideia de tempo, que estaria guardada nesses registros, mas uma poética do vazio, em que a ausência de sentido faz com que novos sentidos possam surgir.

Abertura: 9 de setembro

Visitação: até 28 de outubro

Segunda à sexta: de 14h às 19h