De Titanic à Brumadinho. Tragédias e fotografia.

por Paulo Marcos

A famosa cena com Leonardo Decaprio e Kate Winstlet. Amor e tragédia. Fato e ficção.

A famosa cena com Leonardo Decaprio e Kate Winstlet. Amor e tragédia. Fato e ficção.

Em 1937 o desastre do Titanic já tinha acontecido há 26 anos e ainda era, como continua sendo, um marco na longa lista de tragédias humanas. O maior e mais caro navio de passageiros já construído até então não aguentou trombar com um iceberg milenar. Uma série de negligências levaram ao desfecho trágico, matando 1500 das 2300 pessoas que viajavam no transatlântico.  Considerado "inafundável", um tripulante teria dito para a passageira Sylvia Caldwell que "nem Deus poderia afundar" aquela façanha da engenharia naval. Em 2 horas e 40 minutos o Titanic foi parar, em mergulho vertical e acelerado, nas profundezas do Oceano Atlântico, a 3km da superfície. Não existem fotos do acidente e as imagens mais lembradas são as do filme de 1997 do diretor James Cameron, ficção cinematográfica baseada em alguns acontecimentos reais e ganhadora de 11 Oscars.

O Titanic em um porto na Irlanda, pouco antes de partir para a Inglaterra a caminho do seu destino final.

O Titanic em um porto na Irlanda, pouco antes de partir para a Inglaterra a caminho do seu destino final.

Em 1937 o desastre do zeppelin Hindenburg foi presenciado por centenas de pessoas que tinham ido à Lakehurst, em Nova Jersey, USA, assistir o famoso dirigível fazer mais uma das suas graciosas e suaves aterrissagens. O fotógrafo Sam Shere estava entre os mais de 20 jornalistas e fotógrafos que foram presenciar o espetáculo e registrou com a sua câmera de grande formato o "Titanic" dos ares ser consumido por chamas em menos de 1 minuto. Apesar de existirem inúmeras fotos da tragédia, foi a de Sam Shere que se tornou o ícone do acidente que matou  37 das 97 pessoas a bordo.

Difícil de acreditar, mas nem todos que estavam a bordo morreram. O Hindenburg era um colosso dos ares, medindo o equivalente a quatro Boeings 747.

Difícil de acreditar, mas nem todos que estavam a bordo morreram. O Hindenburg era um colosso dos ares, medindo o equivalente a quatro Boeings 747.

Em 2019, o Brasil se estarreceu com mais uma tragédia protagonizada pela Vale Rio Doce,  uma das maiores mineradoras do mundo, reincidente neste tipo de crime ambiental. Em 2015, no município de Mariana, em Minas Gerais, uma barragem rompeu, seus rejeitos arrastando casas, árvores, animais, vida e tudo o mais que encontrou pela frente, matando 19 pessoas. A fotógrafa Ana Carolina Fernandes esteve na região na época e produziu uma foto que se tornaria uma das imagens símbolos do desastre de Brumadinho, 3 anos depois: a grade de um ventilador da marca Futuro enterrado parcialmente na lama tóxica.

O futuro. Com uma imagem poética de grande carga dramática, Ana Carolina Fernandes atravessa a nossa noção de futuro.

O futuro. Com uma imagem poética de grande carga dramática, Ana Carolina Fernandes atravessa a nossa noção de futuro.

Outra foto que circulou intensamente pelo mundo livre das redes sociais foi a de um bombeiro de costas sendo abraçado, com força e gratidão eterna, por um homem enlameado sem camisa. Esta foto, entretanto, não é de Brumadinho, mas do resgate de um agricultor em 2011 na cidade de Patos de Minas.

A foto que virou símbolo da tragédia de Brumadinho é de 2011. Foto de Aisian Henrique/Patos hoje.

A foto que virou símbolo da tragédia de Brumadinho é de 2011. Foto de Aisian Henrique/Patos hoje.


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Paulo Marcos de Mendonça Lima é graduado em fotografia pelo Brooks Institute (EUA) e em jornalismo pela UniverCidade. Fotógrafo profissional desde 1980, foi editor de fotografia dos jornais O Globo, LANCE! e O dia, é professor em cursos livres e de pós-graduação e trabalha com fotografia autoral. Publicou os livros Kuarup Quarup, Saara Rio de Janeiro e Rio Imperial entre outros. Expôs na Galeria 32 em Londres e no Museu Ludwig na Alemanha. Desde 2014 é sócio do Ateliê Oriente, um espaço carioca dedicado ao ensino, à reflexão e à difusão da fotografia e das Artes Visuais. Em 2015 participou do FotoRio como leitor de portfolios e com a exposição Perimetranse. Neste mesmo ano foi curador da exposição Delicadeza no Centro Cultural Light, no Rio de Janeiro e coordenou o Prêmio Carlos Lacerda de Fotografia. Em 2016 dividiu a curadoria do Festival Internacional de Fotografia Paraty em Foco com Giancarlo Mecarelli. Em 2018 fez parte da Comissão Gestora do FotoRio Resiste e coordenou a Feira Oriente.

Ana DallozComment