Além das aparências

Por Kitty Paranaguá

”Eu sempre soube que não tinha visto nada se não tivesse visto além das aparências.” Sarah Moon

Se tem uma fotógrafa que sabe ver além do real, que criou um mundo próprio, que transformou a moda e a publicidade imprimindo uma visão única, irreal, fascinante é Sarah Moon. Nome adotado quando começou a fotografar em 1970. Sarah nasceu Marielle Warin, em Vernon, na França, em 1941. Nesta época, sua família judia foi forçada a deixar a França. Estudou desenho e foi modelo em Londres e Paris. Depois de trabalhar alguns anos posando com o nome de Marielle Hadengue, resolveu ver o mundo pelo outro lado, através das lentes.  Começa com a fotografia e, em 1978, aproxima-se também do cinema. Inicialmente trabalhou em Londres, em estreita colaboração com Barbara Hulanicki, que havia lançado a popular loja de roupas Biba, que refletia bem o clima das ruas naquela época.

A fotógrafa ganhou destaque nos anos 70 com suas icônicas campanhas da Cacharel. Trabalhou para a Chanel, Dior, Comme des Garçons, Issey Miyake além de assinar editoriais para as melhores revistas de moda, entre elas Vogue e Marie Claire. Sarah Moon criou um estilo único e próprio com imagens etéreas e elegantes misturando realidade e ficção, retratando um mundo de fantasia onde o bizarro e o poético se misturam. Suas fotos são femininas, delicadas e criativas. Retrata as mulheres com uma delicadeza própria, criando efeitos, borrando, saturando as cores, conseguindo imprimir em trabalhos publicitários seu estilo próprio.

Como ela própria diz é preciso saber ver além da realidade dos fatos, nos momentos de suspensão, nos intervalos. A foto pode estar além da pose. Mistério e sensualidade estão no cerne do trabalho de Moon, seja fotografando a alta costura, a natureza morta ou o retrato.

Usa a cor e o preto e branco com igual desenvoltura, reservando para o preto e branco seus momentos de introspecção, de memórias, de solidão e de perdas. Tanto nas suas imagens fixas quanto nas móveis, mantém a mesma atenção à moldura e à luz, à sequência e à música e a sua forma onírica de ver o mundo.

Ana DallozComment