Balanços e promessas de início de Ano

Luiz Baltar

Na primeira metade de 2018 recebi, do Ateliê Oriente, o convite para escrever uma coluna mensal no blog. Apesar do espanto pelo convite e de todas dúvidas que tinha sobre se haveria interesse nos temas propostos: Fotografia e periferia, fotografia popular e fotografia como ativismo político, em Abril fiz minha primeira postagem e fui surpreendido com o número recorde de compartilhamentos entre as postagens do Blog.

Como Cartier-Bresson chegou na Maré > Crédito: Favela em Foto

Como Cartier-Bresson chegou na Maré > Crédito: Favela em Foto

“Como Cartier-Bresson chegou na Maré” (http://www.atelieoriente.com/blog/10/4/2018/como-cartier-bresson-chegou-na-mare) foi compartilhado 475 vezes. O interesse inicial pode ser creditado pela inusitada relação do maior nome da fotografia documental com uma favela marcada por sucessivos casos de violência, mas o desejo de compartilhar vem depois de conhecer o ensaio fotográfico realizado com os moradores do Jacarezinho em dias de brincadeira. O detalhe de ter sido feito com os moradores, no sentido deles serem modelos, produtores e autores de uma narrativa inspirada em cenas imortalizadas por Cartier-Bresson, ganha sentido para além do estético, quando representa a realidade da maioria dos moradores do Rio de Janeiro. Continuo falando da maneira de um fazer brincante, que mistura fotógrafos e fotografados, quando apresento o trabalho de um dos fotógrafos que mais admiro no artigo “Léo que tira foto e os caçadores de pipa do Jacarezinho”(http://www.atelieoriente.com/blog/leolima)

> Léo que tira foto e os caçadores de pipa do Jacarezinho > Crédito: Léo Lima

> Léo que tira foto e os caçadores de pipa do Jacarezinho > Crédito: Léo Lima

O poder requer corpos tristes. O poder necessita de tristeza porque consegue dominá-la. A alegria, portanto, é resistência, porque ela não se rende. Alegria como potência de vida, nos leva a lugares onde a tristeza nunca nos levaria. Gilles Deleuze*

 Durante esses meses meus artigos foram compartilhados 2.184 vezes, esse número me dá a certeza que existe interesse pela fotografia humanista e popular, independente se é apresentada como documento ou como arte. Mesmo com esse entendimento falhei na intenção de falar, sistematicamente sobre fotografia e periferia. Acabei usando esse espaço para organizar pensamentos e sentimentos que os acontecimentos de um ano tão intenso me traziam e muitas vezes as “pautas” programadas com antecedência caiam pela necessidade de falar de coisas que me afetavam no momento. Foi assim com os artigos “O que pode a fotografia?” (http://www.atelieoriente.com/blog/12/9/2018/o-que-pode-a-fotografia), “A fotografia apresenta suas armas” (http://www.atelieoriente.com/blog/25/10/2018/a-fotografia-apresenta-suas-armas) e “Por que fotografar?” (http://www.atelieoriente.com/blog/17/12/2018/por-que-fotografar).

A fotografia apresenta suas armas > Crédito: João Roberto Ripper

A fotografia apresenta suas armas > Crédito: João Roberto Ripper

Que a fotografia seja pulsar e potência para a criação, para a expressão e para o conhecimento.” Joyce Abbade*

Faltou em 2018 investigar e falar mais sobre o Fotografia Popular, conceito que no Rio de Janeiro tomou outros significados devido ao trabalho de documentaristas formados pela Escola de Fotógrafos Populares, projeto de João Roberto Ripper na Maré. Nos artigos de 2019 quero entrevistar fotógrafos e fotógrafas para tentar responder algumas questões: Afinal o que é Fotografia Popular? Quem são os fotógrafos populares? E como esse conceito é entendido pelo Brasil. Outro objetivo que perseguirei durante o ano é apresentar o trabalho de coletivos, de fotógrafos e fotógrafas das periferias pelo Brasil. Da mesma forma que Vila Kennedy e Santa Marta foram apresentados através das Imagens de Thais Alvarenga e Elana Paulino no artigo “O olhar feminino das favelas” (http://www.atelieoriente.com/blog/6/6/2018/olhar-feminino-das-favelas) quero apresentar o trabalhos engajados que ví no Ceará, realizados por: Zona Imaginária, Coletivo Motim, Coletivo as Carolinas, Coletivo Zóio, Frente Ampla Cultural, etc. exemplos do poder de uma produção que conhecemos tão pouco. É dessa capacidade criativa de resistência que falo um pouco no artigo sobre os coletivos de comunicação popular das favelas do Rio de Janeiro  “Fala tu, favela”(http://www.atelieoriente.com/blog/16/7/2018/fala-tu-favela).

O olhar feminino das favelas > Crédito: Thais Alvarenga

O olhar feminino das favelas > Crédito: Thais Alvarenga

Para terminar preciso agradecer pela confiança de ter, por mais um ano, esse espaço, pelo apoio, pela leitura, compartilhamento e comentários de todos.

PS1 > Gilles Deleuze / Francês que acredita que a filosofia é criação de conceitos.

PS2 > Joyce Abbade / Carioca do subúrbio da Leopoldina que acredita que a fotografia serve para mudar conceitos.


baltar foto.jpg

Luiz Baltar trabalha como fotógrafo documentarista e desenvolve projetos autorais no campo da arte contemporânea. Acredita na fotografia como forma de expressão ativista e crítica, daí sua busca em estabelecer um diálogo entre fotografia e questões sociais, sobretudo no que diz respeito ao olhar sobre a cidade.

Ana DallozComment